É fato que a base de nossa saúde está na alimentação e que uma dieta rica em verduras, legumes e frutas é garantia de qualidade de vida. As dúvidas começam a surgir quando questionamos a procedência desses alimentos e o “modo artificial” como foram produzidos. Infelizmente, hoje vale tudo em nome do aumento da produtividade e do lucro. Com isso, surgem as perguntas: será que quando comemos uma verdura, por exemplo, estamos realmente comendo algo natural? Qual é a segurança que temos para afirmar que uma salada crua é mais natural e saudável que legumes cozidos?A resposta a esse tipo de indagação vem com o que chamamos de alimentos orgânicos aqueles cultivados sem fertilizantes químicos ou agrotóxicos. “Os orgânicos dizem respeito a qualidade do processamento do alimento, incluindo a qualidade do solo onde ele é plantado. São alimentos obtidos de maneira simples, pela ação da própria natureza”, explica a nutricionista Tina Isidoro, que trabalha há mais de 20 anos com alimentação natural no Rio de Janeiro.
A grande vantagem dos alimentos orgânicos passa pela questão de serem mais enriquecidos de nutrientes, uma vez que a terra utilizada no seu cultivo é fértil e natural e não há nenhuma interferência de substâncias químicas no processo, principalmente agrotóxicos. “São alimentos vivos, com mais massa alimentar, ou seja, com mais nutrientes em sua composição”, completa a nutricionista.
O nome orgânico é explicado justamente por essa idéia: eles interagem e são muito melhor absorvidos pelo nosso organismo.
Desintoxicação
Além de verduras, legumes e frutas, o modelo orgânico também pode ser adaptado a carnes e laticínios. A diferença aí se estabelece pela maneira como se cria o animal (rações adequadas e mais naturais, tratamentos a base de homeopatia, não confinamentos etc). Assim, o cardápio diário pode (e deve) ser totalmente orgânico. Entre os inúmeros benefícios da alimentação orgânica está o processo de purificação do organismo que ela proporciona.
Essa desintoxicação leva a uma melhora de problemas hepáticos e gastrointestinais, os mais comuns gerados pelas químicas e outras substâncias artificiais contidas nos alimentos normais. Os males para a saúde causados pela artificialização da alimentação já são motivos de protestos e mudanças de atitudes principalmente em países da Europa. Na Alemanha, é definido por lei que todo produto industrializado para a criança tem que ser 100% orgânico. Na Inglaterra, 70% da população já procuram e consomem alimentos orgânicos. No Brasil, a produção de orgânicos, que começou com cooperativas de consumidores em 1978, está crescendo e hoje já é possível achar esses alimentos naturais em alguns supermercados e feiras. Atualmente os orgânicos são cultivados em 100 mil hectares no país.
Apesar de ainda custarem mais caro que os alimentos normais, a tendência é que o preço dos orgânicos abaixe, uma vez que a produção e o consumo assistem a um aumento progressivo. As pessoas estão ficando cada vez mais conscientes da importância de se exigir a qualidade do alimento que estão ingerindo e dando para seus filhos. A agropecuária orgânica vem justamente atender a essa necessidade, promovendo a possibilidade do homem voltar a usufruir da natureza na produção de alimentos. “Os alimentos orgânicos têm a ver com hábitos simples, que acabamos perdendo na corrida da modernidade em detrimento da nossa saúde e do meio ambiente”, conclui Tina.
A filosofia dos orgânicos
Todo alimento orgânico é muito mais que um produto sem agrotóxicos. A “filosofia orgânica” nasce do resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos, etc).
O objetivo é buscar a conservação do meio ambiente mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. De forma geral, a agricultura orgânica é baseada em três idéias. São elas: Cultivo natural: é proibido o uso de agrotóxicos, adubos químicos e artificiais e conservantes no processo de produção.
Equilíbrio ecológico: A produção respeita o equilíbrio microbiológico do solo. O processo fica mais sustentável, não degradando a biodiversidade. Respeito ao homem: o trabalhador tem que ser respeitado (leis trabalhistas, ganho por produtividade, treinamento profissional e qualidade de vida). Para se obter um alimento verdadeiramente orgânico, é necessário administrar conhecimentos de diversas ciências (agronomia, ecologia, sociologia, economia, entre outras). Assim, o agricultor, através de um trabalho harmonizado com a natureza, tem condições de oferecer ao consumidor alimentos que promovam não apenas a saúde deste último, mas também do planeta em que vivemos.
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